A série The L Word está de novo na nossa TV. No canal Fox life e penso que também no canal 2. A
Hoje de manhã, na fila da 2º circular, nem sei bem porquê, eu e a C., falamos sobre alguns aspectos da série. Voltei a questionar-me acerca da sua qualidade e do fenómeno de sucesso em que se tornou em todos os países em que tem sido transmitida.
A
Já vi as quatro séries e não sou fã. Não vou pôr-me com falsos discursos ou com pretensiosismo: vê-se melhor do que as novelas e do que grande parte dos programas que são emitidos nos canais nacionais e na maioria dos canais de TV por cabo.
Hoje de manhã, na fila da 2º circular, nem sei bem porquê, eu e a C., falamos sobre alguns aspectos da série. Voltei a questionar-me acerca da sua qualidade e do fenómeno de sucesso em que se tornou em todos os países em que tem sido transmitida.
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Já vi as quatro séries e não sou fã. Não vou pôr-me com falsos discursos ou com pretensiosismo: vê-se melhor do que as novelas e do que grande parte dos programas que são emitidos nos canais nacionais e na maioria dos canais de TV por cabo.
A
Não estranho que a série tenha sucesso, o que me causa alguma estranheza é que se tenha tornado uma série de culto entre as lésbicas de todo o mundo. Em conversa com amigas, já tive oportunidade de discutir esta questão e sei que a minha opinião não é das mais populares. A maioria das lésbicas adora a série. Eu acho-a uma série banal. Por várias razões, mas as principais ligam-se ao que são os sues pilares conceptuais, a sua estrutura ideológica:
A
- Os guiões encontram-se saturados de símbolos consumistas e de clichés.
- Existe uma enorme artificialidade e superficialidade nos conteúdos, discursos, tramas e personagens.
- Contem inúmeras referências ou símbolos hetero. É pelo menos parcialmente, um produto que espelha o imaginário hetero.
- O universo lésbico não se encontram representado na série .
Não estranho que a série tenha sucesso, o que me causa alguma estranheza é que se tenha tornado uma série de culto entre as lésbicas de todo o mundo. Em conversa com amigas, já tive oportunidade de discutir esta questão e sei que a minha opinião não é das mais populares. A maioria das lésbicas adora a série. Eu acho-a uma série banal. Por várias razões, mas as principais ligam-se ao que são os sues pilares conceptuais, a sua estrutura ideológica:
A
- Os guiões encontram-se saturados de símbolos consumistas e de clichés.
- Existe uma enorme artificialidade e superficialidade nos conteúdos, discursos, tramas e personagens.
- Contem inúmeras referências ou símbolos hetero. É pelo menos parcialmente, um produto que espelha o imaginário hetero.
- O universo lésbico não se encontram representado na série .
- As personagens, a sua vida e as suas relações são baseiam-se em critérios comerciais e estéticos.
A
A série que é considerada por alguns uma vitória do estilo de vida lésbico (seja lá isso o que for) sobre os média e a industria de produção de conteúdos, é feita com base em estereótipos heterossexuais e em padrões sócias da classe média alta. Não representa com isenção nem com rigor a população que visa retratar. Está a anos luz da realidade (mesmo da realidade americana).
A
O sucesso de The L Word é inquestionável. Mesmo sendo acima de tudo The L Word num H World. Mas sabemos bem porque é que isso acontece. É apesar de tudo uma novidade no panorama das séries de televisão, e, colocando as analises e a razão de lado, sabemos que há sempre razões que a razão desconhece: eu gostei da Marina, já a a C. prefere a Carmen.
A
A série que é considerada por alguns uma vitória do estilo de vida lésbico (seja lá isso o que for) sobre os média e a industria de produção de conteúdos, é feita com base em estereótipos heterossexuais e em padrões sócias da classe média alta. Não representa com isenção nem com rigor a população que visa retratar. Está a anos luz da realidade (mesmo da realidade americana).
A
O sucesso de The L Word é inquestionável. Mesmo sendo acima de tudo The L Word num H World. Mas sabemos bem porque é que isso acontece. É apesar de tudo uma novidade no panorama das séries de televisão, e, colocando as analises e a razão de lado, sabemos que há sempre razões que a razão desconhece: eu gostei da Marina, já a a C. prefere a Carmen.

11 comentários:
O seu apontamento é apontadíssimo - nada daquilo espelhará um quotidiano de mulheres... de pessoas comuns, apesar das necessárias teatralização e distanciação. Foi muito clara no que disse mas deixe-me acrescentar uma dúvida, a sublinhar a artificialidade - não há lésbicas feias ou fúteis ou desfocadas ou parvas ou sem graça?
E, depois,
é evidente que uma mulher que tem envergadura para directora de um departamentto de uma universidade convive facilmente com uma cabeleireira ou com uma freak do rock, como se se movimentassem em planos conceptuais e de empenhamento intelectualidênticos, não é?!
Trata-se de propaganda e de entertainment à boa maneira americana, depois de garantido e, sobretudo, garantindo! o objectivo primário - vender.
Claro que tudo só seria possível com alguma sofisticação e competência à mistura mas isso é pressuposto do negócio; além disso, os alvos também diferem, na exigência e na expectativa e no modode se identificarem c'as personagens... that's all folks, dear ferónica.
Pirata vermelho´
É na realidade apenas mais uma série comercial americana.
Estou aqui muitíssimo divertida depois de ter lido o comment do Pirata Vermelho - personagem que acho cada vez mais interessante - porque não estava nada a vê-lo a seguir o L Word :-)
Mas quem vê comments não vê caras não vê corações não vê personalidades reais, etc.
But still: muito divertido!
Quanto ao post propriamente dito: eu sou das que gosta.
Com certeza que há fundamento na tua apreciação, Ferónica, mas há também, porventura, demasiada rigidez, se me permites.
Em boa verdade, esta série não tem mais símbolos consumistas, clichés, artificialidade, superficialidade, etc. que qualquer outra boa série norte-americana. Lembro-me, assim de repente, de "Weeds", uma excelente série americana recente, ultra crítica dessa sociedade, cáustica mesmo, mas que também não escapa a símbolos consumistas, clichés, artificialidade, superficialidade, etc.
É uma questão cultural. É a cultura norte-americana, que, goste-se ou não, identifiquemo-nos com ela ou não, existe e reflecte uma história e uma sociedade.
E é também uma questão artística. Para se contar uma história com alguma eficácia e com as limitações que os formatos televisivos (ou cinematográficos) impõem, é necessária uma caracterização da realidade e uma tipificação dos personagens.
Isto acontece SEMPRE.
Mas L Word consegue algo importantíssimo: visibilidade do lesbianismo numa perspectiva integradora e não separatista do resto da sociedade. (Também) Por isso é que conhecemos n heterossexuais, homens e mulheres, "fascinados" com a série e interessados em conhecer melhor o mundo lésbico, numa perspectiva de integração, de interacção, de convivência saudável.
É óbvio que tarados há sempre. Mas neste caso, eles não são a maioria. O que me leva à questão seguinte: os conteúdos, discursos, tramas e personagens.
É precisamente aqui que a série é riquíssima.
Retrata desde o heterossexual "fascinado" pelo mundo lésbico que leva o fascínio longe demais, na personagem de Mark; a questão da transsexualidade, na personagem de Moira/Max; a questão da maternidade no seio de um casal lésbico e as questões legais, morais e sociais relacionadas; a questão da afamada promiscuidade sexual no mundo homossexual, em n personagens diferentes, com n+1 motivações diferentes; a questão da aceitação (ou não) familiar da orientação sexual, via personagens como a mãe de Alice, o pai de Bette, etc.; a questão da bi-sexualidade, via Alice, Tina,etc., a questão da democratização dos “grupos” lésbicos (e homossexuais em geral), e aqui acho INTERESSANTÍSSiMO o comentário do Pirata – pronto, também o acho muito triste, mas é a vida – porquanto denota o elitismo e a estratificação social vigente, quando (ele) afirma não ser possível, ou pelo menos realista “uma mulher que tem envergadura para directora de um departamento de uma universidade conviver facilmente com uma cabeleireira ou com uma freak do rock, como se se movimentassem em planos conceptuais e de empenhamento intelectualidênticos”, e nós, lésbicas, sabemos que É perfeitamente possível e real; and I could go on, and on and on, sobre questões que - não me lixem - fazem SIM parte do universo lésbico. Sendo que a série leva estes temas para "perto" do universo “não-lésbico”, não fazendo dele um guetto na sociedade, mas sim dando-o a conhecer com alguma familiaridade e humanismo ao resto da sociedade. E isto é MUITO importante! Isto é perfeitamente consonante com excelente campanha da ILGA que clamava "Pelo direito à INdiferença".
Porque quanto melhor a sociedade conhecer os homossexuais, mais se identificará com as suas causas, porque verá que elas são humanas, não são aberrantes, não são estranhas, não são assustadoras, são naturais, tão naturais como ter uma vida/orientação heterossexual.
Bom, e como este comment já vai (muito) mais longo que o post, eu vou-me calar um bocadinho e devolver o tempo de antena aos dilectos interlocutores.
Até já!
Citadina
Sei o queres dizer quando dizes que o meu discurso é rígido. Aceito a critica e percebo que assim possa parecer. Sei que a minha opinião acerca da LWord não é consensual . Alem disso, eu disse que vi as 4 séries, o que significa que até gostei de as ver pois se assim não fosse não passaria de un ou dois episódios da 1ªsérie.
Talvez eu me tenha expressado mal. Queria acima de tudo dizer que a série enferma de excesso de referências hetero e da presença de uma consciência estética discutível. Não vou de modo algum refutar os argumentos que utilizas nem a concepção da série enquanto ferramenta de serviço publico do lesbianismo. Através das audiências conquistadas conseguirá de facto aproximar mundos que andam de costas voltadas. Quanto À profundidade das personagens, aí discordo em absoluto. Nesse domínio ela é pretenciosa. Afigura-se como profunda e depois deixa tudo pela superficie. É assim uma espécie de montanha a parir um rato. Há variedade mas não profundidade. As problemáticas são obvias e nunca verdadeiramente aprofundadas.
Há séries norte americanas bem melhores. Eu gostaria muito de ver a série L Word com uma profundidade de abordagem de questões ligadas à orientação sexual semelhante aquela com que por exemplo a série sete palmos de terra trata questões banais.
Resumindo, tenho pena que a série seja uma série de temática lésbica feita e em função do imaginário do mundo hetero. Mas vejo, não adoro mas também não desgosto. Se a Marina não tem saído tão cedo de cena secalhar tb era fã.
E agora, mesmo, mesmo para terminar, sei que o meu discurso possa parecer mais um discurso feminista do que um discurso de lésbica. Não é, só aparentemente o será.
Poderíamos (e até gostaria muito de o fazer) dissecar personagens e histórias, até seria engraçado (fica como ideia para novos posts), mas vou ficar por aqui pois sinto que se embalo, o comentário não teria fim.
Obg pelo comentário. Gostei.
Agora é a minha vez de aceitar a "consciência estética discutível", até porque tanto a consciência como a estética são sempre discutíveis.
Não percebo se as "referências hetero" têm a ver com a beleza física das atrizes... Ou com outras coisas.
E de facto, as personagens não são muito "profundas", nem nunca eu o afirmei. Eu disse que são ricas, que não quer dizer exactamente o mesmo. Quis dizer que são versáteis na construção e abrangentes na temática. Profundas não :-)
Também as minhas são palavras de fã de Marina, por ventura uma das personagens mais aprofundadas/complexas da série, ou pelo menos das personagens estruturalmente mais audaciosas. E gira como o caraças também, pronto!
Dissecar personagens e histórias parece-me uma ideia magnífica, fico à espera e prometo participar!
Citadina
Por falta de tempo não poderei hoje eslarecer a questão das referências hetero. Prometo que o farei.
A ideia de Dissecar personagens e histórias será oportunamente posta em pratica.
bjs
Eu vi o L Word I e II, tenho o III no computador que ainda não vi e não vejo o IV.
Isto acontece, não porque não goste da série, apenas porque detesto séreis muito longas que acabam por me aborrecer. Sou uma mulher que aprecia cinema e séries televisivas curtas.
Uma das coisas que reparei na série é que não apareciam mulhers vulgares. As lésbicas são todas bonitas e glamourosas e, isso, independentemente da sua profissão, portanto, da bolsa. Se a Bette é glamourosa e vai a festas em iates de luxo, percebo. Mas não percebo se for a Shane. E não percebo porque não sei onde vai ela desencantar o dinheiro. Portanto, aqui a série peca por não resistir ao jeito americanada hollywoodesca.
No entanto, em termos de programas sobre a visibilidade LGBT, costumo defender que mais vale menos bom que nenhum. E L Word consegue, de facto, juntar ao serão não apenas homosseuais, mas muitos heterossexuais.
Há muita simbologia heterossexual na série, mas também é verdade que vivemos num mundo maioritáriamente heterossexual. Para uma série que é pioneira na temática lésbica, o recurso à simbologia heterossexual não me parece assim tão negativa. Para podermos vir a ter, um dia, o tal direito à indiferença, há que caminhar com objectividade, mas com uma estratégia e cautela redobradas. Diz o povo e é verdade que "não é com vinagre que se apanham moscas". Ora, a série certamente não teria o sucesso que tem entre os heterossexuais se tivesse apenas simbologia e cultura lésbica e as personagens fossem mulheres vulgares e sem dinheiro (se pensarmos bem, as séries hetero geralmente mostram gente bonita e bem sucedida). Não se conseguiria atingir a maioria da população e fracassaria a tal visibilidade.
Com o público hetero "fidelizado", sim porque o homo à partida já o está, as próximas séries ou mesmo a continuidade de L Word pode, aos poucos, ir alterando a estrutura simbólica inicial da série, metendo a tal simbologia e cultura lésbicas, sem choques desnecessários e, até, sem que o público se aperceba, aceitando-as com naturalidade.
Só mais uma coisa, tenho como amigas pessoas de vários quadrantes sociais e culturais e juntamos-nos todas muitas vezes. Sinceramente, nunca notei que uma cabeleira lésbica não se pudesse dar com uma directora de um departamento de uma universidade.
Beijo
Duca
Levantas algumas questões que acho mito interessantes. Neste momento não tenho tempo para responder comogostaria, retomarei o dialogo na segunda feira.
bom fds
bjs
Bj e bom fim de semana. :)
Citadina
Agora que aparentemente concordas discordando, vou fazer de conta que os desafios para o debate não existem e que a única questão é a das referencias hetero.
Sim, porque isso de: … “aceitar a "consciência estética discutível", ...porque tanto a consciência como a estética são sempre discutíveis” … não é mais do que aquilo que o povo diria ser um “diz que sim mas que também”. Um acordo de discórdia. ;)
Quanto à diferença entre personagens ricas e personagens profundas, estamos completamente de acordo. Não são a mesma coisa. Só que eu acho que elas também não são ricas. Encontro-lhes até alguma uni-dimensionalidade (pronto, podem ser ricas sem ser multi-dimensionais).
A verdade é que poderíamos discutir longamente esta questão mas talvez seja mais interessante passar à tal análise das personagens, até porque por esse caminho também chegaremos às questões aqui levantadas.
Quando refiro a existência de demasiadas referências hetero, não me referia à beleza física das actrizes, nem ao seu glamour, nem ao seu estilo de vida bem sucedido. Referia-me sim, à predominância de padrões importados do imaginário hetero. Muitos dos padrões de caracter sexual e de comportamento social , essencialmente aqueles que têm a ver com aspectos relacionais, são nitidamente inspirados pelos estereótipos dominantes e pelos desejos de uma grande parte dos espectadores masculinos hetero. (pelo menos no meu entendimento e em função das minhas referências).
Poderia dar alguns exemplos concretos mas parece-me que tal não será necessário.
A titulo de exemplo generalista, saliento apenas o numero de cenas de sexo por episódio, a facilidade que têm lésbicas assumidas, belas e bem sucedidas, em seduzir e se envolver sexualmente com elevada frequência com outras mulheres (lésbicas, bissexuais ou heterossexuais), etc..
Parece-me que talvez fosse necessário tentar explicar um pouco melhor o que pretendia dizer mas talvez as palavras de outros o façam melhor do que eu. Por isso, refiro o Dr. House, de outra série de sucesso, que afirmou seguir a série L Word mas sem som na TV, ou a opinião de um homem heterossexual (*) acerca de The L Word:
“ ...como 100% dos homens normais gosto muito de meninas que gostam de meninas…Adorei. …Fizeram uma comédia/drama de situação com forte componente sensual, e tiraram os homens. Para melhorar só se colocassem meninas nuas se agarrando na piscina. Epa, tem também!”
Não sei se consegui explicar-me, mas a discussão continua em aberto…
Bjs
(*) em http://www.carloscardoso.com/2006/07/04/velcro-and-the-city/
Duca
Eu nunca disse que a série não poderia assumir um papel importante na divulgação/aceitação/banalização de outras orientações sexuais que não a maioritária e socialmente dominante. Eu até vi a série, vi desde a 1ª à 4ª temporada e irei provavelmente ver a 5ª se vier a ser realizada. É um facto que é uma das poucas produções televisivas de temática lésbica.
A minha critica, talvez mal explicitada ia apenas no sentido de não entender a dimensão do fenómeno de popularidade em que a série se tornou. Se “googlarmos L Word Fan club” obtemos mais de 8 milhões de resultados compatíveis com a pesquisa e se visitarmos alguns fóruns assistimos À manifestação de fenómenos de adoração das personagens.
Estranho sobretudo, não que se veja a série ou que se aprecie a série, mas sim que se tenha tornado uma série de culto entre lésbicas e que tenha dado origem a movimentações que eu diria de uma modernidade primitiva globalizada, de adoração ou mesmo de idolatria das personagens de The L Word. Personagens essas, que em ultima análise pouco ou nada têm a ver com o mundo real da maioria das lésbicas, sejam elas de Lisboa, Boliqueime, Paris, Freixo de espada à Cinta, ou mesmo de Los Angeles.
Concordo em absoluto com a existência de alguns elementos absurdos no enredo e estrutura das personagens que tão bem exemplificaste, com a diferença que seria natural existir entre os estilos de vida da Bette e da Shane.
Tal como tu, também discordo que pessoas de diferentes níveis socio-económicos e culturais não possam relacionar-se de forma sincera e natural.
Bjs
PS: Obg. Pelo desejo de bom fds.
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