
Sou uma pessoa indecisa. Sempre que tenho de tomar uma decisão, debato-me com dúvidas e com inúmeros aspectos que tenho de ter em conta e de analisar até à exaustão. Como resultado desta minha grande dificuldade, acabo muitas vezes por adiar tomadas de decisão. Foi o que me aconteceu hoje, quando na sequencia dos comentérios trocados com a Citadina a propósito do post L Word .. H world, pretendia escolher uma personagem de The L Word para aqui falar sobre ela.
A
Primeiro, pensei em escolher a Marina. É a minha preferida e pareceu-me suficientemente interessante. Depois, pareceu-me que estava a ser tendenciosa. Afinal, é uma personagem, que entra apenas na 1º série e que embora tenha um papel importante para a evolução da história, não é uma das personagens centrais e que permenecem ao longo das diferentes temporadas.
Primeiro, pensei em escolher a Marina. É a minha preferida e pareceu-me suficientemente interessante. Depois, pareceu-me que estava a ser tendenciosa. Afinal, é uma personagem, que entra apenas na 1º série e que embora tenha um papel importante para a evolução da história, não é uma das personagens centrais e que permenecem ao longo das diferentes temporadas.
A
Depois, estive quase a decidir-me pela Bette, um dos pilares do famoso grupo de amigas. Mas acho-a tão pirosa… não sei se foi por a ter visto no filme flashdance com aquela fitinha na cabeça ou se por causa do ar de vitima da vida que ostenta em grande parte da série, não é uma das minhas preferidas. Então, porque começar por ela? E não começando por ela, devo começar por quem? Carmen de la Pica? Shane? Dana? Tina? Peabody? Jenny? Alice? Tim? Mona? Quem?
Depois, estive quase a decidir-me pela Bette, um dos pilares do famoso grupo de amigas. Mas acho-a tão pirosa… não sei se foi por a ter visto no filme flashdance com aquela fitinha na cabeça ou se por causa do ar de vitima da vida que ostenta em grande parte da série, não é uma das minhas preferidas. Então, porque começar por ela? E não começando por ela, devo começar por quem? Carmen de la Pica? Shane? Dana? Tina? Peabody? Jenny? Alice? Tim? Mona? Quem?
A
Decisão precisa-se... Aceitam-se sugestões.
Decisão precisa-se... Aceitam-se sugestões.

5 comentários:
Olá Ferónica!
Eu sugiro a Alice. Porquê? Porque é uma personagem com presença constante ao longo das séries, com diversas mutações de estilo e nuances no que toca à orientação sexual.
É também uam personagem que explora diferentes papeis, como amante, como amiga, como filha, etc.
E é a criadora da "Chart", no fundo a rede agregadora da trama e descritora das inter-relações que se vão delineando.
So, who goes first?
Beijinhos!
Vê, como são pouco 'espessas'?!
(foi você que disse, não foi?)
Ferónica:
Em relação a toda esta polémica sobre o interesse da série, a sua popularidade, o ter-se tornado numa espécie de culto do mundo lésbico apesar da utilização de símbolos hetero, de clichés e símbolos consumistas, da superficialidade e artificialidade dos conteúdos, etc, etc, devo dizer-te que acho que isso aconteceu por diversas razões.
Primeiro, porque preenche um requisito que atrai espectadores: é uma série de entretenimento. Nesse aspecto eu consumo às dezenas os episódios da série CSI e se me perguntares qual o interesse em o fazer, eu respondo-te que nenhum. Gosto e pronto!
Segundo, porque tem mulheres lindíssimas e sedutoras, muitas delas bem realizadas profissionalmente. Quem de nós não gostaria de ser assim bela, de ter o poder de seduzir que elas têm, de ser tão interessantes e/ou poderosas como algumas delas são?
Terceiro, porque de facto, e como diz a Duca, o mundo lésbico não está separado do mundo heterosexual nem dos seus clichés e símbolos, absorvendo ele próprio muitos desses símbolos, não os sentindo assim como qualquer coisa estranha ao seu mundo.
Quarto, porque preenchendo o imaginário, a fantasia da maior parte das mulheres a nível profissional, afectivo, sexual e vivencial, ou seja, aquilo que elas gostariam que fosse a sua vida e as suas relações profissionais, de amizade, sexo e amor, actua como um “doping” sobre elas.
Quinto, porque há lá muitas situações relacionais que, independentemente de ocorrerem também no mundo heterosexual, não deixam de ter lugar no mundo homossexual. E há algumas questões que coloca, comuns ao ser humano e não tanto aos heterosexuais ou homossexuais, que acho bastante interessantes.
Quanto às personagens, eis o que penso:
Para mim, a mulher mais interessante a nível físico e intelectual é sem dúvida a Bette. É bela, extremamente bem feita, boa amante como amante, não tanto como esposa infelizmente, é culta, inteligente, aguerrida, forte e frágil ao mesmo tempo, vertical e séria, capaz de se pôr em causa e de mudar os seus comportamentos. Seria a pessoa que, a existir, eu escolheria para ter uma relação.
A Tina não me diz nada. Não a acho especialmente bonita nem bem feita, acho que a mudança que sofreu é um bocado artificial e demasiado radical, não condiz com a mulher que ela era na sua essência.
A Dana também nada me diz, não faz o meu género nem a nível físico, nem a nível intelectual ou comportamental.
A Alice é sem dúvida interessante do ponto de vista comportamental e a sua evolução é bastante interessante. E a imaginação dela é fabulosa!
A Peabody, apesar de ser uma bela mulher e, aparentemente, excelente amante, não consigo gostar dela e faz-me imensa pena que não perceba que os afectos não se compram. Também me arrepia que use discricionariamente o poder e dinheiro para conseguir intentos não muito curiais nem profissionais.
A Carmen, para mim, é apenas um belo pedaço de mulher, que não faz muito o meu género em termos físicos e que para além disso não tem o mínimo interesse como pessoa.
A Jenny, é demasiado fucked up, aliás um estereotipo que se atribui muito a escritores e artistas. Apesar de aqui romper com o estereotipo da menina judia bem comportada que se rege pelos padrões de comportamento das famílias judias.
A Shane é, para mim, uma das pessoas de quem gosto mais. Se pensarmos na vida que teve, não há dúvida de que foi capaz de se manter impoluta e vertical. Gosto da sua abertura de espírito, da forma como é discreta e guarda segredos, como intui situações, como se afasta, não só mas também por nobreza, de quem ama a favor de uma amiga, da sua disponibilidade, compreensão e amizade para com outros seres humanos. Seria sem dúvida quem eu escolheria para amante.
A Marina, mulher bela, culta, sofisticada e boa amante, é uma das mulheres que as lésbicas preferem. Não é das que eu mais gosto. A sua sofisticação é resultado de uma série de falta de princípios éticos e de carácter que eu não tolero. Uma pessoa não se vende por dinheiro e não destroi um casamento como o que a Jenny e o Tim tinham só porque não consegue resistir, não tendo ainda por cima tido a força de carácter para assumir depois o que sentia pela Jenny!
O Tim é, para mim, uma das personagens mais bonitas e consequentes desta história. E percebe-se perfeitamente que ele tenha acabado por aceitar (não compreendendo) que a Jenny o tivesse trocado por outras mulheres, mas não por outros homens. É uma atitude perfeitamente compreensível e humana, coerente com a sua maneira de ser.
Uma das questões interessantes que se põem aqui e que acho comuns aos seres humanos são, por exempo, a das relações de casal. Será que se deve correr o risco de se destruir algo de bom que se tem com alguém que realmente se ama por um capricho da carne ou da mente? Caso da Bette e da Tina e do Tim e da Jenny. Será que se pode inferir que nas relações de casal monogâmicas, em geral, a excitação compulsiva, animal, selvagem e instintiva para o sexo, o gostar realmente de foder, é substituída pela falta de tesão, de imaginação, de sensualidade, de exploração mútua, de risos e de emoção, por festinhas e beijinhos ao de leve, apressados, desinteressados, insípidos, incolores e inodoros? Poderá a tesão alucinante, o desejo desenfreado, o arrebatamento intenso, a urgência, o frémito da paixão, viver para além do período de enamoramento ou da paixão? Estarão apenas reservados aos amantes ou apaixonados? Será que estão os casais de longa duração isentos de alternativas, criatividade e espírito inovador e condenados à monotonia, ao tédio, à psicoterapia, ao marcar o ponto na sua vida sexual para cumprimento de uma obrigação conjugal? Será que há uma diferença abissal entre as pessoas como amantes e as mesmas pessoas como membros de um casal a nível do seu desempenho sexual? Valerá a pena viver aventuras excitantes, frívolas e perigosas quando existe uma boa relação de casal que se pode pôr em risco? Serão as relações abertas como têm a Tina e a Peabody uma solução? Quanto à minha experiência pessoal não e a julgar pelas consequências do que se passa nesta série também não. Há coisas que não valem a pena.
Mas há muito mais questões interessantes que se colocam. As que dizem respeito à amizade entre pessoas de diferentes extractos sociais, à gestão da vida profissional, ao apoio fundamental dos amigos em questões de alcoolismo ou droga, etc.
Citadina
O voto na Alice foi registado.
Pirata Vermelho
Vou considerar como voto em branco
Cosmopolita
É um voto Nulo, dizes preferir a Bette mas falas em tantas, só posso considerar voto nulo.
Obg pela vossa participação
Cosmopolita
Agora colocando de lado a questão da votação, quero eu dizer, falando A SÉRIO:
Concordo com a analise que fases e acho interessante a tua descrição das personagens. Não concordo com alguns pormenores mas são apenas pormenores.
Só com a Bette o meu desacordo é mais profundo. Não simpatizo com ela. Não tem sentido de humor, é uma desgraça ambulante que produz parte dos buracos onde acaba por tropeçar. É ao nível da capacidade de se relacionar e entregar, potencialmente deficiente. Mas gostos, são as tais coisas que não se discutem.
A Marina, quando disse que me agradava, era mesmo a figura, não a personagem. Quanto a essa, concordo contigo. E concordo também quando dizes que o Tim é uma das personagens mais bonitas e consequentes da história. O que não deixa de ser engraçado se pensarmos que é uma série sobre lésbicas.
Passando à segunda parte do teu comentário, àquela que não tem a ver directamente com as personagens mas antes com as histórias de vida e com as relações de casal, estou inteiramente de acordo com a tua opinião. A minha experiência pessoal leva-me na mesma direcção. Sou até um pouco rígida e inflexível nesse domínio.
Não acho que se deva destruir um bom relacionamento por um capricho, assim como não acho que um relacionamento aberto possa ser uma solução para o que quer que seja. Acho antes que um relacionamento aberto é a expressão de existência de um problema, a manifestação da evidência da insuficiência da relação.
Os casais de longa duração, cuja relação assenta em amor, não estão de todo “condenados à monotonia, ao tédio, à psicoterapia, ao marcar o ponto na sua vida sexual para cumprimento de uma obrigação conjugal”. Pelo contrário, são relações estimulantes onde cada um se encontra na realização do outro. Onde o conhecimento profundo possibilita minimizar desentendimentos, ansiedades e inseguranças. Onde a partilha e conhecimento mútuo permitem retirar maior prazer da relação (em todos os domínios).
As outras questões: “amizade entre pessoas de diferentes extractos sociais, à gestão da vida profissional, ao apoio fundamental dos amigos em questões de alcoolismo ou droga”, poderiam abrir espaço para um dialogo interminável.
Obrigada pelo comentário
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