
30.11.07
28.11.07
L Word … H World
Hoje de manhã, na fila da 2º circular, nem sei bem porquê, eu e a C., falamos sobre alguns aspectos da série. Voltei a questionar-me acerca da sua qualidade e do fenómeno de sucesso em que se tornou em todos os países em que tem sido transmitida.
A
Já vi as quatro séries e não sou fã. Não vou pôr-me com falsos discursos ou com pretensiosismo: vê-se melhor do que as novelas e do que grande parte dos programas que são emitidos nos canais nacionais e na maioria dos canais de TV por cabo.
Não estranho que a série tenha sucesso, o que me causa alguma estranheza é que se tenha tornado uma série de culto entre as lésbicas de todo o mundo. Em conversa com amigas, já tive oportunidade de discutir esta questão e sei que a minha opinião não é das mais populares. A maioria das lésbicas adora a série. Eu acho-a uma série banal. Por várias razões, mas as principais ligam-se ao que são os sues pilares conceptuais, a sua estrutura ideológica:
A
- Os guiões encontram-se saturados de símbolos consumistas e de clichés.
- Existe uma enorme artificialidade e superficialidade nos conteúdos, discursos, tramas e personagens.
- Contem inúmeras referências ou símbolos hetero. É pelo menos parcialmente, um produto que espelha o imaginário hetero.
- O universo lésbico não se encontram representado na série .
A
A série que é considerada por alguns uma vitória do estilo de vida lésbico (seja lá isso o que for) sobre os média e a industria de produção de conteúdos, é feita com base em estereótipos heterossexuais e em padrões sócias da classe média alta. Não representa com isenção nem com rigor a população que visa retratar. Está a anos luz da realidade (mesmo da realidade americana).
A
O sucesso de The L Word é inquestionável. Mesmo sendo acima de tudo The L Word num H World. Mas sabemos bem porque é que isso acontece. É apesar de tudo uma novidade no panorama das séries de televisão, e, colocando as analises e a razão de lado, sabemos que há sempre razões que a razão desconhece: eu gostei da Marina, já a a C. prefere a Carmen.
25.11.07
24.11.07
Orgulho Hetero.. Tagus aponta ao alvo errado.



A campanha agora iniciada por esta marca do grupo sumol, foi desenvolvida pela Lowe & Partners e é uma campanha cujo objectivo é exactamente o de conseguir tornar falada a marca Tagus. É em termos de conceito, uma campanha fraca, triste e nada divertida. É sabido que se trata de uma marca fraca e determinada no objectivo de se prejudicar a si mesma . Só uma marca com esse objectivo esbanja os seus recursos em acções que a sustentam no rumo do fracasso comercial.
Há uns tempos já tinha conseguido eliminar do seu alvo de mercado alguma da população feminina conservadora, feminista e pró-feminista., quando patrocinou uma festa da FHM, e, entre algumas iniciativas publicitárias com piada (cartões de visita e braços) levou a cabo uma campanha sexista e machista onde um post it Tagus que marcava páginas da revista que se encontravam coladas, continha para alem da imagem de uma loiça sanitária, a frase: há coisas que só acontecem aos homens.
A campanha, para alem de ferir algumas susceptibilidades, não serviu para muito mais do que para nos esclarecer acerca do motivo porque há tantos homens a levar este tipo de revistas para o WC. Agora, com o orgulho hetero, a Tagus voltou a errar o alvo. Tendo como referência a adesão às paradas do orgulho hetero e gay, imaginem lá a cervejinha que a Tagus poderia vender se não se associasse às causas "minoritárias".
23.11.07
Simplex a todo o gás.

Ontem em Setubal, uma explosão destruiu parcialmente um prédio de 12 andares, cujo risco de derrocada ainda se encontra a ser avaliado. Provocou 19 feridos e resultou de uma fuga de gás. No momento da explosão, encontarar-se-ia(m) no edificio um ou mais técnicos da empresa instaladora de gás natural. Este acidente provocou em avultados danos materiais na área circundante e obrigou à evacuação de um número elevado de moradores por as suas habitações não apresentarem condições para lá permanecerem.
A
Este acontecimento poderia ser um infeliz acidente episódico, se não fossem já recorrentes os incidentes e acidentes com causas associadas a equipamentos e instalações de gás. De acordo com o PD, só em 2007, com origem em fugas de gás (botijas, gás de cidade ou natural), verificaram-se no nosso país 12 explosões com 25 feridos, um morto e mais de 230 desalojados por destruição de habitações.
A
Infelizmente, há grande probabilidade de que este caso seja mais um na lista já longa de acidentes do género. Mais grave e vistoso do que o habitual, mas ainda assim, apenas mais um.
A
Existe legislação que visa a manutenção de níveis aceitáveis de segurança na instalação e na utilização do gás. A legislação define em termos técnicos os requisitos dos projectos e equipamentos e determina ainda as certificações obrigatórias para o licenciamento de empresas e profissionais do sector bem como a necessidade e características das inspecções e emissões de operacionalidade. Obviamente, em termos práticos, nada disso se aplica à utilização das vulgares botijas de gás, pelo menos para uso doméstico. Já no que respeita às instalações e à exploração do fornecimento do gás natural e mais antigo gás de cidade, é incompreensível como podem apresentar tantos incidentes.
A
Não consigo contar, porque certamente não terei a isso atribuído lugar de destaque na minha memória, o numero de vezes que conhecidos ou amigos me referiram a existência de problemas com instalações ou com fugas de gás nos seus prédios. Não sei quantas foram mas sei que foram várias as vezes em que isso aconteceu. Acontecimentos deste tipo deveriam ser raros, ou melhor, raríssimos. Deveriam ser tão raros, que deles tivéssemos conhecimento, apenas por ouvir dize, que alguém tinha dito que um conhecido conhecia alguém a quem tal acontecera. Mas não. Estou certa que todos nós conhecemos o problema na 1ª ou 2ª pessoa.
A
Da divagação que fiz acera do assunto, resultou para no parecer de que este tipo de acontecimentos tem origem em três factores que embora distintos de interligam:
A Cultura nacional, que é uma cultura de desculpabilização da transgressão, para não dizer que é uma cultura que a cultiva (idolatrando), e, que é também uma cultura de auto-comiseração, gratidão e fatalismo (no meio do azar ainda foi sorte… podia ter sido pior… queiramos nós que nunca seja pior do que isto… ) . Por outro lado, enfermamos ainda do síndrome do Chico esperto e do desenrasca, onde todos sabem fazer tudo e onde faz sentido o ditado: a ocasião faz o ladrão.
A
Há alguns meses, iniciaram-se na zona de Lisboa em que actualmente resido, obras com a finalidade de criar infra-estruturas de fornecimento de gás natural. Sendo os prédios da zona edifícios cuja maioria foi construída já há algumas dezenas de anos, as instalações de fornecimento de gás nos edifícios são senão mais complexas, por serem externas, estão no mínimo, mais expostas a quaisquer acções que voluntária ou involuntariamente lhes possam causar danos e sujeitas à complexidade que um prédio com algumas dezenas de anos levanta a qualquer acção de transformação.
A
A empresa (ou uma das empresas) que contactou moradores, visando a celebração de contratos de instalação e fornecimento de gás natural, é uma empresa cujo nome é: TELELUSA Telecomunicações e informática Lda.
A
Na abordagem comercial efectuada pela referida empresa, foram evidenciadas as vantagens do produto e serviço bem como uma promoção que a empresa oferecia a quem aderisse numa fase inicial do processo de instalação. Não foi feita qualquer referência a aspectos como: garantias de segurança; validade do projecto de instalação; credenciação e licenciamento da empresa, etc…
A
Não posso julgar a qualidade nem a legalidade da empresa pois não tenho conhecimentos para isso, mas algo nela me causa estranheza: Telecominicaçõe e informática Lda? Uma empresa instaladora de gás? Instalarão eles fornos com Internet ou placas com telefone? Colocarão routers nos esquentadores? Sei lá! É um mundo estranho para mim. Irão eles transformar o meu forno e colocar-lhe um PC de ultima geração com um telefone VOIP?
A
Fiz uma pesquisa na Net e descobri que a empresa está certificada como técnica ITED - infra-estruturas de telecomunicações de edifícios , pela ANACOM (autoridade nacional em cominicações), e surge vários directórios de empresas na categoria de empresa de telecomunicações e informática, artigos e equipamentos, e, até como empresa de componentes electrónicos passivos e circuitos impressos . Em outro directório, surge como empresa do sector da energia, projectos e instalações de gás. Descobri ainda que faz parte da lista de instaladores qualificados da BP na região de Leiria. Um dos directórios consultados é aparentemente o que tem uma descrição mais completa da actividades da empresa: “ Gas - Projects, Installation And Repairs, Projectos de Gás, Reparações Redes Gás, Instalações Redes Gás, Manutenção, Aquecimento Central, Conversão Aparelhos, Equipamento Fagor, Caldeiras Fagor, Projectos de Electricidade, projectos ITED (infra-estruturas de telecomunicações de edifícios)”. Só lá faltou mesmo a informática.
A
Como se não bastasse ser uma empresa que lida com tecnologias complexas e diversas, ainda é capaz de se destacar (infelizmente não no domínio das instalações de gás), constando no ranking top100 da AEP das empresas de telecomunicações e informática (CAE 64200), com 1.025.000 Euros de volume de negócios e 23 empregados.
A
Como disse, não conheço a qualidade do trabalho da dita empresa, mas que é uma empresa que aderiu ao espírito do choque tecnológico, lá isso é!
A
Custa-me a perceber, mas o problema deve ser meu. Certamente é SIMPLEX.
A
A
PS: Tanto quanto sei, a TELELUSA não tem qualquer relação com a explosão de setubal, só me lembrei dela por o tema ser gás.
Foto: Carlos Santos/Lusa in PD
21.11.07
20.11.07
Sangue, suor, saliva e lágrimas.
É fantástica a forma como uma decisão do tribunal do trabalho de Lisboa e do tribunal da Relação, podem injustamente prejudicar um ser humano e simultaneamente deitar por terra parte do trabalho desenvolvido em anos e anos de (escassa) prevenção da SIDA.A
A
A comunicação social divulgou ontem o desfecho de um caso que já se arrasta há algum tempo pelos tribunais e que é um caso exemplar de injustiça (legitimada) e da arte de desfazer o pouco que foi conquistado ao longo de mais de duas décadas na prevenção da infecção pelo HIV: Um cozinheiro português que há sete anos trabalhava no Hotel Sana, foi despedido por ser seropositivo. De acordo com o DN, médico do trabalho da sua empresa considerou-o "inapto definitivamente para a profissão de cozinheiro" e a entidade patronal, o hotel Sana, despediu-o com base no parecer do médico do trabalho.
A
De acordo com a mesma fonte, quer o tribunal do Trabalho quer o Tribunal da Relação dão razão à entidade patronal, considerando ter ficado “provado [que o cozinheiro] é portador de VIH e que este vírus existe no sangue, saliva, suor e lágrimas, podendo ser transmitido no caso de haver derrame de alguns destes fluídos sobre alimentos servidos a consumidores que tenham na boca uma ferida."
Estas decisões, são proferidas pelo tribunal mesmo estando na posse dos juízes pareceres médicos defendendo que, “apesar de o vírus estar na saliva e no suor, existem só três formas de transmissão do VIH: relações sexuais não protegidas, via endovenosa ou via materno-fetal. "
A
Este parecer, foi ainda ontem e a propósito deste caso, reafirmado pelo Dr Machado Caetano (Ex Coordenador do Gabinete de Luta contra a SIDA) no noticiário da SIC.
A
No que se refere à mais elementar justiça, é no mínimo estranho que se baseie uma decisão de despedimento num risco de transmissão que não é corroborado pela ciência. Por outro lado, em termos éticos, haverá certamente alguma falha ao longo deste processo. O médico do trabalho, tal como qualquer outro está obrigado ao sigilo profissional, pelo que não se compreende como foi divulgada condição do trabalhador no que se refere à infecção pelo HIV.
A
Apesar de o trabalhador ter já recorrido para o Supremo, e de ser ainda possível ter expectativas positivas quanto à possibilidade de uma decisão mais justa, que os danos produzidos nunca poderão ser reparados.
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Pelos danos que este tipo de acções acarretam quer para os directamente visados quer para toda a sociedade, manifestei já ao grupo Hoteis Sana, o meu profundo desagrado pelo modo como a sua empresa actuou neste caso, a minha intenção não vir a ser sua cliente, e ainda, a minha intenção de divulgação deste acontecimento.
A
Para quem pretenda dirigir algumas palavras ao grupo de Hotéis Sana, deixo ficar link para os respectivos contactos: Hoteis Sana.
16.11.07
PEQUENOS GRANDES HERÓIS

Começa hoje a campanha Pequenos Grandes Heróis. Trata-se de uma campanha que irá decorrer em 20 centros comerciais e que visa ajudar a Pediatria do IPO – Instituto Português de Oncologia de Lisboa e do Porto.
A
De acordo com a noticia do Portugal Diário, com esta campanha procura-se conseguir meios para adquirir material e equipamento técnico. É ainda referido que Lucília Norton, directora do serviço de pediatria do IPO do Porto, explicou que: “os IPO precisam de «camas para os utentes, otoscópios para todos os quartos, máquinas, medicamentos e citoscópios para o cirurgião pediátrico”.
A
Os donativos serão recebidos nos locais onde decorrerão iniciativas associadas à campanha em 20 Centros Comerciais e algumas empresas deram já o exemplo: Os primeiros donativos foram 10 mil euros da Sonae Sierra, 15 mil euros do grupo Sonae e 150 euros do Centro Comercial Colombo, Lisboa.
A
Apesar de desejar que eta campanha tenha o maior sucesso e de ser minha intenção nela participar, não posso deixar de manifestar profundo pesar pelos motivos que estão na sua origem.
A
É lamentável que a Pediatria do IPO se veja obrigada a beneficiar de campanhas para angariação de fundos que visam adquirir bens cujo orçamento do IPO deveria poder providenciar. Não é admissível que um hospital publico tenha de mobilizar a sociedade civil para receber doações que lhe permitam adquirir camas ou equipamento técnico considerado essencial.
A
Sei, e concordo, que a sociedade civil não de deve demitir de colaborar em acções de solidariedade e que tem a obrigação de contribuir para que se possam suprimir necessidades sociais e culturais. Acontece que estas são necessidades cuja satisfação é da responsabilidade de todos nós mas através do estado. Não se trata de adquirir materiais ou equipamentos dispensáveis ou lúdicos. Trata-se de adquirir equipamento básico (camas??) e técnico indispensável para tratar as crianças com doença oncológica. É triste e de lamentar que as instituições tenham de recorrer à solidariedade para ver satisfeitas necessidades que nem sequer deveriam existir. Este tipo de campanhas tem cabimento para angariar fundos destinados à compra de bens ou serviços que não seja da competência da tutela assegurar. Por exemplo, a aquisição de uma videoteca ou ludoteca para as enfermarias pediátricas, a contratação de serviços de entretenimento, etc.. Agora camas? Equipamento técnico para as cirurgias?
A
Quanto às primeiras doações, espero que se trate de um erro e que o Centro Comercial Colombo tenha doado um montante muito superior aos 150 Euros divulgados na noticia. Para miséria já nos basta que seja necessário realizar esta campanha, não precisamos de maior humilhação. O Maior Centro Comercial de Lisboa (e talvez do país) não pode ter contribuído só com 150 Euros. Só pode ser um engano.
A
Desejo que a campanha tenha o maior sucesso. Boa Sorte, Pequenos Grandes Heróis!
13.11.07
Complexo? Transtorno? Doença? Recuperação? Ai Ai Margarida!
9.11.07
8.11.07
PARA TI







