21.12.07
17.12.07
A propósito da Jodie Foster ….e do Mário, do Elton, da Chavela, da ....

Ao ler o comentário de uma visitante do Tempus Blogandi a um post que a Duca dedicou à Jodie Foster, apeteceu-me aqui falar um pouco sobre a questão da saída do armário pela exposição pública.
De tempos a tempos temos é noticia que uma qualquer figura publica assumiu publicamente a sua homossexualidade (de que são exemplo entre muitos outros: Chavela Vargas que o fez aos 80 anos de idade, o português Mário Viegas, Elton John, e Jodie Foster). Desde já há algum tempo que me questiono sobre a utilidade e a pertinência deste tipo de assunções.
De tempos a tempos temos é noticia que uma qualquer figura publica assumiu publicamente a sua homossexualidade (de que são exemplo entre muitos outros: Chavela Vargas que o fez aos 80 anos de idade, o português Mário Viegas, Elton John, e Jodie Foster). Desde já há algum tempo que me questiono sobre a utilidade e a pertinência deste tipo de assunções.
Consigo perceber a instrumentalidade e o contributo, mesmo que só simbólico, do facto de figuras públicas assumirem publicamente a sua homossexualidade. Trata-se de um acto que requer alguma coragem mas que é acima de tudo um acto de militância. É por isso., do ponto de vista social, um acto público que visa essencialmente contribuir para objectivos sócio-politicos e não resultados para quem o pratica. É acima de tudo, um acto político.
Considerar que Jodie Foster ou outras figuras públicas, colocam em jogo as suas vidas ou carreiras por o fazerem é inocência. Actualmente, nenhuma figura publica do meio artístico dos países ocidentais desenvolvidos será posta em causa de modo fatal devido à sua assunção pública de homossexualidade. Não quero com isto dizer que não possa daí retirar alguns prejuízos, mas nada que coloque em causa a sua estabilidade ou sobrevivência. Para este tipo de pessoas, até porque na grande maioria a sua orientação sexual é já conhecida previamente, trata-se de oficializar esse conhecimento através de um acto de militância (ou de libertação), de contribuir para a causa da aceitação social, para a mudança de atitudes, para a conquista da indiferença (ou apenas para a redução da ansiedade).
Como disse, embora compreenda a utilidade, só a concebo no caso de figuras públicas. Nos outros, parece-me absolutamente desnecessária e quase sempre inútil. Só a militância e o activismo tornam instrumental este tipo de acções, que quando praticadas por simples e anónimos cidadãos (a menos que se trate de uma iniciativa colectiva e significativa), não têm si mesmas nem projectam noutros nada de importante.
Como já várias vezes salientei, sou adepta da igualdade, portanto, também e acima de tudo da indiferença. A associação da atitude de assunção da homossexualidade ao acto de tornar publica a orientação sexual, parece-me algo paradoxal quando tempo enquadrar estes comportamentos nos objectivos que ambiciono.
Tendemos a valorizar (pela coragem) quem o faz e a decidir que são esses os que realmente se assumem. Que os outros, se encontram ainda no “armário” por não terem declarado publicamente que são homossexuais. Discordo quase em absoluto desta visão.
Se eu, a minha colega de trabalho, o empregado do café, ou qualquer outro comum mortal sem reconhecimento publico, assumir publicamente e sem qualquer objectivo especifico, ser homossexual, não só não conseguiremos nenhum resultado significativo, como também estaremos a contrariar o desejo de igualdade de tratamento. Nenhum heterossexual necessita de declarar publicamente que o é. Também os homossexuais não deveriam ter de o fazer ou dever fazê-lo. Não significa isto que me pareça correcto (sobretudo do ponto de vista da sanidade mental e da qualidade de vida dos próprios) manter uma vida de secretismo, de ocultação onde não se pode mostrar afecto por quem se ama, onde não se pode ser o que se é. Defendo que a assunção da homossexualidade resulta do modo como vivemos com ela e do modo como nos relacionamos com os outros em relação a ela.
Nunca declarei publicamente aminha homossexualidade, e a menos que alguma coisa o justifique, não penso vir a fazê-lo. Não sei sequer a quem poderia interessar. Não me considero por isso no armário, os meus familiares sabem, os amigos também. E sabem também todos aqueles que mo perguntaram ou que pela convivência comigo o perceberam. O que não faço é esconder a minha orientação sexual, todos os que me são mais próximos e os que comigo convivem, rapidamente se apercebem e integram essa realidade da minha vida, porque como qualquer outra pessoa que tenha um relacionamento estável, penso e falo na primeira pessoal do plural, e projecto a vida do mesmo modo. Esta atitude, permite-me (penso eu) também contribuir para a aceitação e integração natural da diferença nos meios em que interfiro, pelo conhecimento e contacto. Não impondo a diferença, ela pode emergir e revelar-se quando e à medida em que deixa de ser importante por outros imperativos relacionais se terem estabelecido.
Não forço a divulgação da minha orientação no meu círculo de vida, mas também não a escondo. Os que me rodeiam apercebem-se dela como se apercebem dos meus traços de personalidade, gostos, valores ou interesses. Vivo quase como viveria se fosse heterossexual e digo quase porque há de facto algumas diferenças que são precisamente as que gostaria de ver desaparecer.
Não considero que os actos de divulgação pública da homossexualidade sejam desmerecedores de reconhecimento. Em figuras públicas como artistas, desportistas ou políticos, pode constituir um importante contributo para a mudança de mentalidades. Nos vulgares e comuns mortais, é uma questão de vontade, é uma questão pessoal, cuja funçãoou expressão é na maior parte das vezes mais individual o que colectiva, sendo intra orientada e visando a satisfação pessoal ou o alivio da tensão resultante da ocultação e da “transgressão”. Em nenhum dos casos é um comportamento concordante com o desejo do direito à indiferença.
14.12.07
A ascenção do gueto: padronização, progressismo ou neo-discriminação?
A
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A imagem transmitida pelo marketing ligado a esses produtos ou serviços, é uma imagem de liberdade e poder, bem distante dos antigos “antros”, guetos de circunscrição, que até quase ao final dos anos 80 constituíam os espaços de catarse do grupo (falo obviamente dos bares e discotecas existentes até então). Estes novos produtos e a forma como são apresentados trazem consigo um aroma de conquista e de liberdade. Parece-nos que se personalizam produtos e serviços pensando mesmo mesmo em nós. Seremos então, um grupo importante do ponto de vista económico e politico e que existe de facto enquanto grupo, a partir do momento em que é reconhecido como tal.
A verdadeira aceitação da diferença, não se traduz na criação de uma estrutura categorial em função de preferências ou orientações sexuais. A verdadeira aceitação da diferença, de múltiplas sexualidades, só acontecerá quando transcender o gueto, quando tal como é referido no artigo que citei, a diferentes sexualidades forem encaradas como aquilo que são realmente: como adjectivos, não como substantivos. Significando isso que somos pessoas com comportamentos homossexuais, bissexuais ou heterossexuais.
A

Ao ler o artigo intitulado ADJECTIVO NÃO PODE SER SUBSTANTIVO, fui levada a pensar na evolução recente em termos sociais e culturais que em muito mudou a forma de encarar e viver a homossexualidade. Apesar de considerar que muito ainda há a fazer em termos da mudança de atitudes comportamentos e mentalidades, temos que reconhecer que nos últimos 10/15 anos assistimos a mudanças que não preconizáramos poderem ocorrer num tão curto período. No entanto, apesar da sua natureza positiva, nem sempre a sua magnitude é elevada.
Temos vindo a assistir a uma grande evolução naquilo a que poderemos designar como os mercados para a população homossexual. E refiro mercados porque na realidade se trata de um mercado que se começou a segmentar em torno de identidades colectivas artificiais, extraídas daquilo que é ser homossexual. Esta segmentação, reproduz e difunde etiquetas ou rótulos ligados à sexualidade, acabando por criar ou patrocinar a criação de múltiplas identidades dentro de um grupo que já à partida é restrito ou restringido em função de comportamentos sexuais, de sexualidades..
Indivíduos cuja orientação sexual não coincide com a orientação dominante, que até há bem pouco tempo (e ainda agora em muitos casos) se isolavam e guardavam para si ou para grupos muito restritos a revelação do seu verdadeiro eu, começaram a ver-se espelhados em modelos socialmente estabelecidos e tacitamente (des)aprovados por via do primado do politicamente correcto ou dos proveitos desejados.
É a passagem da sexualidade do domínio estritamente privado para um domínio mais vasto. Emergem novos interesses e a homossexualidade torna-se discutível e inteligível no plano económico e politico, deixando o interesse por ela de ser do domínio quase exclusivo das ciências sociais ou do comportamento.
Podemos observar o crescimento de várias indústrias e do comércio em torno de segmentos do mercado dito homossexual. Proliferam agencias de viagens, bares, discotecas, filmes e séries, habitação, imprensa, arte, etc.. A industria do lazer é talvez aquela que neste domínio mais tem crescido e mais se tem diversificado.
A imagem transmitida pelo marketing ligado a esses produtos ou serviços, é uma imagem de liberdade e poder, bem distante dos antigos “antros”, guetos de circunscrição, que até quase ao final dos anos 80 constituíam os espaços de catarse do grupo (falo obviamente dos bares e discotecas existentes até então). Estes novos produtos e a forma como são apresentados trazem consigo um aroma de conquista e de liberdade. Parece-nos que se personalizam produtos e serviços pensando mesmo mesmo em nós. Seremos então, um grupo importante do ponto de vista económico e politico e que existe de facto enquanto grupo, a partir do momento em que é reconhecido como tal.
Na minha opinião trata-se de não de uma conquista mas mais de uma condescendência da era do politicamente correcto. É a passagem do anterior gueto (verdadeiro) onde os que lá estão, mesmo querendo, de lá não podem sair, para o gueto voluntário onde quem lá está, aí quer permanecer. Mantêm-se os guetos enquanto entidades de isolamento espacial e social mas transforma-se a vivência de lá permanecer. Do imposto para o voluntário em nome de uma identidade económica e politicamente construída. Em nome de identidades inexistentes que aqueles que pertencem à população alvo de modo comodista aceitam integrar.
Pessoalmente, detesto guetos. Detesto ser confinada a espaços (sejam eles reais ou conceptuais) que não escolhi realmente e com os quais só me identifico secundariamente e por pressão (por oposição ou por escolha forçada). Ao aderir a este tipo de acções económico-politicas, os visados auto excluem-se, aderem a um novo tipo de discriminação.
A verdadeira aceitação da diferença, não se traduz na criação de uma estrutura categorial em função de preferências ou orientações sexuais. A verdadeira aceitação da diferença, de múltiplas sexualidades, só acontecerá quando transcender o gueto, quando tal como é referido no artigo que citei, a diferentes sexualidades forem encaradas como aquilo que são realmente: como adjectivos, não como substantivos. Significando isso que somos pessoas com comportamentos homossexuais, bissexuais ou heterossexuais.
Quando determinados grupos, constituídos em função de uma artificialidade (no que respeita à identidade) , apresentam comportamentos de visam o isolamento e a manutenção do grupo, estão a conferir àqueles que os visaram enquanto nicho de mercado, um elevado sucesso na sua ambição e sectarismo.
Por mim, mais uma vez afirmo que o que pretendo é a indiferença, essa sim verdadeira consequência da aceitação da diferença. Não pretendo de forma alguma um espaço que me seja destinado, onde possa sentir-me bem, escondida ou confinada em função de vontades que me ultrapassam.
Sei que como sempre, me perdi um pouco no discurso e que não referi muitas das coisas que considerava importantes quando comecei a escrever. Provavelmente bastar-me-ia ter dito: Os novos espaços de liberdade criados para grupos específicos em função da sua sexualidade, não espaços de restrição. São guetos modernos aos quais se adere voluntária e voluntariosamente sob uma imensa ilusão de conquista e liberdade. Um gueto nunca é um espaço de liberdade.
12.12.07
Como dois e dois são dois.
Gatos que brilham no escuro: Um grupo de cientistas sul-coeranos, da Universidade Nacional de Gyeongsang, conseguiu este feito alterando um gene que altera a cor dos animais. Esta quarta-feira os gatos foram apresentados ao mundo.
Ministro Vieira da Silva avisa: «Tolerância zero» para maus-tratos na Casa Pia.
O Caso Casa Pia: O caso que veio a publico há cinco anos, completou já três anos de julgamento. Soma já 1.320 despachos proferidos e 1.520 requerimentos apresentados, tendo o processo principal 214 volumes e um total de 49.600 páginas.
Mugabe: O Presidente do Zimbabué, elogiou Portugal pela «calorosa recepção e segurança rigorosa» durante a cimeira UE/África «para manter afastados gays que alegadamente vieram de vários países da Europa», segundo o jornal The Herald.
Luís Evangelista de Araújo, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea: Temos, de forma lenta e progressiva, de aproximar os suplementos dos pilotos daqueles que se pagam na aviação civil. Não queremos ganhar como um comandante da TAP, pois estar aqui também é uma questão de fé, de amor, como os sacerdotes. Os padres não ganham muito dinheiro, mas não vão para co-pilotos.
Junta médica 1 em n : Maria Conceição Marques é uma professora vitimada por três cancros, considerada «incapaz» para trabalhar por uma junta médica, que, pouco depois voltou atrás, considerando-a apta e obrigando-a a voltar a dar aulas.
Junta médica 2 em n: Apto para leccionar. Esta foi a decisão da CGA apesar de um cancro na traqueia o ter deixado mudo. Era professor de Filosofia e aos 60 anos, depois de uma «via sacra» burocrática, faleceu. Colegas e alunos marcam vigília à porta da escola de Braga
Junta médica 3 em n: Apta para o exercício da função. Era uma questão de honra mostrar que dizia a verdade e que não era capaz de voltar à escola. Não conseguiu. Deu aulas cheia de febre e amparada. Os colegas davam-lhe a sopa na boca. Leitores do PDiário incentivaram a filha a recorrer aos tribunais.
Fátima Lopes : Fátima Lopes tem defendido publicamente a utilização de peles verdadeiras na indústria da moda. A respeito de uma colecção que apresentou em Paris, no âmbito do Portugal Fashion, disse "Não há nada falso. É tudo verdadeiro desde as raposas aos visons."

Ministro Vieira da Silva avisa: «Tolerância zero» para maus-tratos na Casa Pia.
O Caso Casa Pia: O caso que veio a publico há cinco anos, completou já três anos de julgamento. Soma já 1.320 despachos proferidos e 1.520 requerimentos apresentados, tendo o processo principal 214 volumes e um total de 49.600 páginas.
Mugabe: O Presidente do Zimbabué, elogiou Portugal pela «calorosa recepção e segurança rigorosa» durante a cimeira UE/África «para manter afastados gays que alegadamente vieram de vários países da Europa», segundo o jornal The Herald.
Luís Evangelista de Araújo, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea: Temos, de forma lenta e progressiva, de aproximar os suplementos dos pilotos daqueles que se pagam na aviação civil. Não queremos ganhar como um comandante da TAP, pois estar aqui também é uma questão de fé, de amor, como os sacerdotes. Os padres não ganham muito dinheiro, mas não vão para co-pilotos.
Junta médica 1 em n : Maria Conceição Marques é uma professora vitimada por três cancros, considerada «incapaz» para trabalhar por uma junta médica, que, pouco depois voltou atrás, considerando-a apta e obrigando-a a voltar a dar aulas.
Junta médica 2 em n: Apto para leccionar. Esta foi a decisão da CGA apesar de um cancro na traqueia o ter deixado mudo. Era professor de Filosofia e aos 60 anos, depois de uma «via sacra» burocrática, faleceu. Colegas e alunos marcam vigília à porta da escola de Braga
Junta médica 3 em n: Apta para o exercício da função. Era uma questão de honra mostrar que dizia a verdade e que não era capaz de voltar à escola. Não conseguiu. Deu aulas cheia de febre e amparada. Os colegas davam-lhe a sopa na boca. Leitores do PDiário incentivaram a filha a recorrer aos tribunais.
Fátima Lopes : Fátima Lopes tem defendido publicamente a utilização de peles verdadeiras na indústria da moda. A respeito de uma colecção que apresentou em Paris, no âmbito do Portugal Fashion, disse "Não há nada falso. É tudo verdadeiro desde as raposas aos visons."

10.12.07
O Paraíso já não é o que era.
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E então ela quis tentá-lo definitivamente. Olhou bem em volta, com extrema atenção. Mas só conseguiu encontrar uma pêra pequenina e pálida. Ficaram os dois numa desesperante frustração. Não há dúvida que o Paraíso está a tornar-se cada vez mais chato!
Mário Henrique Leiria (Última tentação)
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E então ela quis tentá-lo definitivamente. Olhou bem em volta, com extrema atenção. Mas só conseguiu encontrar uma pêra pequenina e pálida. Ficaram os dois numa desesperante frustração. Não há dúvida que o Paraíso está a tornar-se cada vez mais chato!
Mário Henrique Leiria (Última tentação)
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7.12.07
Rapta-me Camaleoa ... Rapta-me C.
Rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De um quasar pulsando loa
Interestelar canoa...
Leitos perfeitos
Seus peitos direitos
Me olham assim
Fino menino me inclino
Pro lado do sim...
Rapte-me
Adapte-me
Capte-me
It's up to me
Coração
Ser querer ser
Merecer ser
Um camaleão...
Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas...
Caetano Veloso
Imagem
5.12.07
Haja paciência!

Não há dia em que não se encontre uma pérola…zinha.
Esta, é tão engraçada, que não resisti a citar algumas passagens:
“ os preconceitos representam a sabedoria acumulada que os nossos antepassados nos legaram e que nós utilizamos de forma automática. Dizer que os preconceitos são irracionais constitui uma grande pretensão da nossa parte. Na realidade, tal equivale a afirmar que a sabedoria acumulada por muitos milhões de pessoas que viveram antes de nós e tiveram de se defrontar com os mesmos problemas que nós, encontrando soluções para eles - e soluções cuja eficácia a experiência de séculos frequentemente comprovou - são inválidas…”
“…como não parece racional admitir que a geração presente - que ainda anda a aprender e a experimentar a vida - saiba mais e melhor acerca dos problemas permanentes da natureza e da vivência humana do que centenas de gerações anteriores - que já a viveram -, então a atitude verdadeiramente racional consiste em adoptar, pelo menos provisoriamente, o conhecimento herdado - o preconceito - em lugar de o rejeitar.
O tema da homossexualidade é a este respeito ilustrativo. Este é um tema recorrente na história da humanidade. A solução herdada do passado - o preconceito - a respeito da homossexualidade é a da sua rejeição - e esta é a solução racional. Na realidade, não existem muitos problemas acerca da humanidade onde seja possível descortinar tão facilmente a racionalidade que presidiu às soluções adoptadas pelos nossos antepassados - e que eles nos legaram sob a forma de reacções automáticas, ou preconceitos - como o problema da homossexualidade.”…
“…Na realidade, no dia em que os nossos antepassados tivessem aceite a homossexualidade como regra geral do comportamento humano teria sido o dia em que a sua cultura - ou, mais geralmente, a humanidade - teria iniciado o caminho para a sua própria extinção. A atitude racional em relação à homossexualidade está, portanto, do lado do preconceito, que implica a sua rejeição como regra geral de comportamento - não a sua aceitação. “
Encontrei este texto no blog Portugal contemporâneo. Se não fosse o facto de todo o discurso estar estruturado em torno de um erro tão ridículo (conhecimento acumulado=preconceito), até me teria aborrecido com as considerações acerca da homossexualidade nele contidas. Assim, e tendo em conta o conteúdo do texto, o seu titulo (A atitude racional) ,e , o titulo do blog (Portugal contemporâneo) , tenho de me render e de repor a verdade. Afinal, disse algures, que nós portugueses não primávamos pelo sentido de humor. Errei e a prova está aqui. Este texto é mesmo hilariante.
“…como não parece racional admitir que a geração presente - que ainda anda a aprender e a experimentar a vida - saiba mais e melhor acerca dos problemas permanentes da natureza e da vivência humana do que centenas de gerações anteriores - que já a viveram -, então a atitude verdadeiramente racional consiste em adoptar, pelo menos provisoriamente, o conhecimento herdado - o preconceito - em lugar de o rejeitar.
O tema da homossexualidade é a este respeito ilustrativo. Este é um tema recorrente na história da humanidade. A solução herdada do passado - o preconceito - a respeito da homossexualidade é a da sua rejeição - e esta é a solução racional. Na realidade, não existem muitos problemas acerca da humanidade onde seja possível descortinar tão facilmente a racionalidade que presidiu às soluções adoptadas pelos nossos antepassados - e que eles nos legaram sob a forma de reacções automáticas, ou preconceitos - como o problema da homossexualidade.”…
“…Na realidade, no dia em que os nossos antepassados tivessem aceite a homossexualidade como regra geral do comportamento humano teria sido o dia em que a sua cultura - ou, mais geralmente, a humanidade - teria iniciado o caminho para a sua própria extinção. A atitude racional em relação à homossexualidade está, portanto, do lado do preconceito, que implica a sua rejeição como regra geral de comportamento - não a sua aceitação. “
Encontrei este texto no blog Portugal contemporâneo. Se não fosse o facto de todo o discurso estar estruturado em torno de um erro tão ridículo (conhecimento acumulado=preconceito), até me teria aborrecido com as considerações acerca da homossexualidade nele contidas. Assim, e tendo em conta o conteúdo do texto, o seu titulo (A atitude racional) ,e , o titulo do blog (Portugal contemporâneo) , tenho de me render e de repor a verdade. Afinal, disse algures, que nós portugueses não primávamos pelo sentido de humor. Errei e a prova está aqui. Este texto é mesmo hilariante.
4.12.07
Ganhou Alice, com 33,333333% dos votos.

De acordo com as vontades expressas (ou não) na sequencia do meu apelo ao voto para a escolha de uma personagem de the L Word, os resultados obtidos foram os seguintes: Alice - 1voto ; votos em branco - 1 voto ; votos nulos - 1). Respeito a vontade da maioria que por sufragio decidiu sobre quem falarei hoje: Alice Pieszecki.
Sobre Alice Pieszecki, logo no início série ficamos a saber que é jornalista, bissexual e que se interessa pelas relações que se estabelecem entre as pessoas, interessa-se sobretudo pelas relações que estabelecemos de forma indirecta, por associação entre “relações”. É o conceito tão divulgado na prevenção da SIDA de que estabelecemos relações com todos aqueles com quem se relacionou a pessoa com quem nos envolvemos. Motivada por esse interesse, inicia a construção do famoso chart e afirma poder ligar todas as lésbicas entre si, com um numero diminuto de ligações.
No plano familiar conhecemos-lhe a mãe, uma actriz sem grande sucesso, bissexual com estilo cota-moderna, e, que acaba por entrar no gráfico através de uma ligação com Shane, o Sebastião da série. No que refere a relacionamentos, conhecemos as suas amigas (personagens principais da série) e o seu envolvimento com Gabby, Lisa o lésbico, a quase relação com Andrew, o namoro com Dana, com a militar (de que não me recordo o nome), Papi e uma vampira.
É uma personagem que no meu entender gira em torno de: bissexualidade, amizade, solidão, e, promiscuidade.
1) Bissexualidade: A de Alice é panfletária. Apesar de ser a própria personagem que ao explicitá-lo, torna bem claro para o espectador qual a sua orientação sexual, todo o seu comportamento ao longo dos quase cinquenta episódios é quase exclusivamente homossexual. Mesmo quando existe uma relação com um homem, ele chama-se Lisa e considera-se lésbica. Ou seja, a relação hetero de Alice, é uma relação lésbica (no sentido simbólico). Tanto quanto me recordo, Alice, não tem durante a série, mais nenhuma relação hetero.
Na minha opinião, a personagem bissexual da série é Tina, não Alice. Alice não vive conflitos emocionais nem sexuais ligados à sua suposta bissexualidade, ela é acima de tudo lésbica, pelo menos ao longo do período apresentado. Poder-se-iam tecer várias considerações acerca desta incongruência, que pode ter origem numa maior complexidade psicológica da personagem ou numa construção de personagem mal conseguida. Alice, aparentemente liberta e sem problemas na assumpção da sua orientação sexual explicita (bissexual), pode ter construído essa identidade através da rejeição da homossexualidade. Ela expressa uma ideia que é muito frequente quer nos homossexuais ”mal assumidos” quer em bissexuais: interesso-me por pessoas e não pelo seu género. Esta explicação, embora redondinha não me parece ser a mais plausível. Seria trazer para uma personagem, conteúdos psicológicos demasiado latente e dúbio, para um contexto onde quase tudo é explícito ou explicitado. Outra hipótese de explicação consiste na possibilidade de haver uma confusão de desejos, uma espécie de mal entendido entre a cognição, os sentidos e os desejos. Refiro-me a questões de carácter sexual. Pode haver em Alice um conflito resultante da interpretação de desejos, preferências ou fantasias sexuais, que a mesma interpreta como característica do sexo hetero, e que a par de uma orientação homossexual a tornariam bissexual. Note-se que com Lisa, Alice manifesta a sua insatisfação ao nível sexual, porque ele não se comporta com um homem e pretende assumir um papel/comportamento que em termos de estereótipo seria o de uma lésbica, não o de um homem hetero. Por outro lado, o sexo com Dana parece não ter problemas exactamente pelo inverso. A terceira opção que me ocorre, é mesmo a de que na construção do personagem a estrutura e psicológica e os comportamentos de Alice não tenham sido bem concebidos.
2) Amizade: Alice é a personagem que melhor ilustra as relações de amizade, a sua natureza e a sua importância. Estabelece relações de amizade sólidas e corresponde ao que consideramos ser “uma boa amiga”. Disposta a ajudar mesmo quando isso implica o seu sacrifício pessoal e disponível para ouvir e apoiar os amigos quando dela necessitam. Seria na série, uma espécie de estandarte da amizade.
3) Solidão: Alice é uma personagem solitária, ao longo da série, a sua acção visa fugir da solidão. Na sua acção, é evidente uma procura que parecia ter terminado quando descobre a sua paixão por Dana e nela encontra reciprocidade. Com a morte de Dana, Alice retoma o seu percurso de busca e de solidão. Só o sentimento de solidão e incerteza poderia levar Alice, uma mulher inteligente, a aproximar-se de Gabby, a sua ex-namorada, e, a contribuir para a confirmação das anunciadas profecias: mágoa e nenhum resultado promissor ou compensador. Todas as relações de Alice, com excepção de Dana, são um pouco o espelho desta atitude e dessa busca (veja-se por exemplo Papi e a Vampira). A própria Alice refre a propósito do seu Chart: "… estamos todos conectados, vê? Pelo amor, solidão ou aquele mínimo, lamentável lapso de julgamento. Todos nós! Em nosso isolamento. Nós nos alcançamos a partir da escuridão ou alienação da vida moderna ao formar essas conexões. Acho isso uma declaração profunda sobre a natureza da existência humana”
4) Promiscuidade: A promiscuidade aparece associada à personagem, não porque ela seja disso um símbolo ou a retrate, mas sim, porque com o seu chart é ela quem coloca frequentemente a tónica nesse característica de muitas das relações lésbicas (e não só).
Alice não é uma personagem complexa mas é uma das mais ricas da série. Alem disso, tem sentido de humor, uma característica que muito me agrada.
Sobre Alice Pieszecki, logo no início série ficamos a saber que é jornalista, bissexual e que se interessa pelas relações que se estabelecem entre as pessoas, interessa-se sobretudo pelas relações que estabelecemos de forma indirecta, por associação entre “relações”. É o conceito tão divulgado na prevenção da SIDA de que estabelecemos relações com todos aqueles com quem se relacionou a pessoa com quem nos envolvemos. Motivada por esse interesse, inicia a construção do famoso chart e afirma poder ligar todas as lésbicas entre si, com um numero diminuto de ligações.
No plano familiar conhecemos-lhe a mãe, uma actriz sem grande sucesso, bissexual com estilo cota-moderna, e, que acaba por entrar no gráfico através de uma ligação com Shane, o Sebastião da série. No que refere a relacionamentos, conhecemos as suas amigas (personagens principais da série) e o seu envolvimento com Gabby, Lisa o lésbico, a quase relação com Andrew, o namoro com Dana, com a militar (de que não me recordo o nome), Papi e uma vampira.
É uma personagem que no meu entender gira em torno de: bissexualidade, amizade, solidão, e, promiscuidade.
1) Bissexualidade: A de Alice é panfletária. Apesar de ser a própria personagem que ao explicitá-lo, torna bem claro para o espectador qual a sua orientação sexual, todo o seu comportamento ao longo dos quase cinquenta episódios é quase exclusivamente homossexual. Mesmo quando existe uma relação com um homem, ele chama-se Lisa e considera-se lésbica. Ou seja, a relação hetero de Alice, é uma relação lésbica (no sentido simbólico). Tanto quanto me recordo, Alice, não tem durante a série, mais nenhuma relação hetero.
Na minha opinião, a personagem bissexual da série é Tina, não Alice. Alice não vive conflitos emocionais nem sexuais ligados à sua suposta bissexualidade, ela é acima de tudo lésbica, pelo menos ao longo do período apresentado. Poder-se-iam tecer várias considerações acerca desta incongruência, que pode ter origem numa maior complexidade psicológica da personagem ou numa construção de personagem mal conseguida. Alice, aparentemente liberta e sem problemas na assumpção da sua orientação sexual explicita (bissexual), pode ter construído essa identidade através da rejeição da homossexualidade. Ela expressa uma ideia que é muito frequente quer nos homossexuais ”mal assumidos” quer em bissexuais: interesso-me por pessoas e não pelo seu género. Esta explicação, embora redondinha não me parece ser a mais plausível. Seria trazer para uma personagem, conteúdos psicológicos demasiado latente e dúbio, para um contexto onde quase tudo é explícito ou explicitado. Outra hipótese de explicação consiste na possibilidade de haver uma confusão de desejos, uma espécie de mal entendido entre a cognição, os sentidos e os desejos. Refiro-me a questões de carácter sexual. Pode haver em Alice um conflito resultante da interpretação de desejos, preferências ou fantasias sexuais, que a mesma interpreta como característica do sexo hetero, e que a par de uma orientação homossexual a tornariam bissexual. Note-se que com Lisa, Alice manifesta a sua insatisfação ao nível sexual, porque ele não se comporta com um homem e pretende assumir um papel/comportamento que em termos de estereótipo seria o de uma lésbica, não o de um homem hetero. Por outro lado, o sexo com Dana parece não ter problemas exactamente pelo inverso. A terceira opção que me ocorre, é mesmo a de que na construção do personagem a estrutura e psicológica e os comportamentos de Alice não tenham sido bem concebidos.
2) Amizade: Alice é a personagem que melhor ilustra as relações de amizade, a sua natureza e a sua importância. Estabelece relações de amizade sólidas e corresponde ao que consideramos ser “uma boa amiga”. Disposta a ajudar mesmo quando isso implica o seu sacrifício pessoal e disponível para ouvir e apoiar os amigos quando dela necessitam. Seria na série, uma espécie de estandarte da amizade.
3) Solidão: Alice é uma personagem solitária, ao longo da série, a sua acção visa fugir da solidão. Na sua acção, é evidente uma procura que parecia ter terminado quando descobre a sua paixão por Dana e nela encontra reciprocidade. Com a morte de Dana, Alice retoma o seu percurso de busca e de solidão. Só o sentimento de solidão e incerteza poderia levar Alice, uma mulher inteligente, a aproximar-se de Gabby, a sua ex-namorada, e, a contribuir para a confirmação das anunciadas profecias: mágoa e nenhum resultado promissor ou compensador. Todas as relações de Alice, com excepção de Dana, são um pouco o espelho desta atitude e dessa busca (veja-se por exemplo Papi e a Vampira). A própria Alice refre a propósito do seu Chart: "… estamos todos conectados, vê? Pelo amor, solidão ou aquele mínimo, lamentável lapso de julgamento. Todos nós! Em nosso isolamento. Nós nos alcançamos a partir da escuridão ou alienação da vida moderna ao formar essas conexões. Acho isso uma declaração profunda sobre a natureza da existência humana”
4) Promiscuidade: A promiscuidade aparece associada à personagem, não porque ela seja disso um símbolo ou a retrate, mas sim, porque com o seu chart é ela quem coloca frequentemente a tónica nesse característica de muitas das relações lésbicas (e não só).
Alice não é uma personagem complexa mas é uma das mais ricas da série. Alem disso, tem sentido de humor, uma característica que muito me agrada.
Vamos a votos?

Sou uma pessoa indecisa. Sempre que tenho de tomar uma decisão, debato-me com dúvidas e com inúmeros aspectos que tenho de ter em conta e de analisar até à exaustão. Como resultado desta minha grande dificuldade, acabo muitas vezes por adiar tomadas de decisão. Foi o que me aconteceu hoje, quando na sequencia dos comentérios trocados com a Citadina a propósito do post L Word .. H world, pretendia escolher uma personagem de The L Word para aqui falar sobre ela.
A
Primeiro, pensei em escolher a Marina. É a minha preferida e pareceu-me suficientemente interessante. Depois, pareceu-me que estava a ser tendenciosa. Afinal, é uma personagem, que entra apenas na 1º série e que embora tenha um papel importante para a evolução da história, não é uma das personagens centrais e que permenecem ao longo das diferentes temporadas.
Primeiro, pensei em escolher a Marina. É a minha preferida e pareceu-me suficientemente interessante. Depois, pareceu-me que estava a ser tendenciosa. Afinal, é uma personagem, que entra apenas na 1º série e que embora tenha um papel importante para a evolução da história, não é uma das personagens centrais e que permenecem ao longo das diferentes temporadas.
A
Depois, estive quase a decidir-me pela Bette, um dos pilares do famoso grupo de amigas. Mas acho-a tão pirosa… não sei se foi por a ter visto no filme flashdance com aquela fitinha na cabeça ou se por causa do ar de vitima da vida que ostenta em grande parte da série, não é uma das minhas preferidas. Então, porque começar por ela? E não começando por ela, devo começar por quem? Carmen de la Pica? Shane? Dana? Tina? Peabody? Jenny? Alice? Tim? Mona? Quem?
Depois, estive quase a decidir-me pela Bette, um dos pilares do famoso grupo de amigas. Mas acho-a tão pirosa… não sei se foi por a ter visto no filme flashdance com aquela fitinha na cabeça ou se por causa do ar de vitima da vida que ostenta em grande parte da série, não é uma das minhas preferidas. Então, porque começar por ela? E não começando por ela, devo começar por quem? Carmen de la Pica? Shane? Dana? Tina? Peabody? Jenny? Alice? Tim? Mona? Quem?
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Decisão precisa-se... Aceitam-se sugestões.
Decisão precisa-se... Aceitam-se sugestões.
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